domingo, 9 de junho de 2013

Epitáfio

Sempre que posso, antes de me levantar, faço uma análise sobre minha vida, me perguntando sobre o que quero e onde quero chegar,  fazendo uma comparação em relação ao caminho que estou trilhando. Acredito que assim, é mais difícil perder o foco inicial.

Pois bem, fazendo as minhas auto-análises matutinas, cheguei a conclusão de que a vida em si, sem paixões, sem objetivos ou planos é completamente vazia, não tem motivo de existir. Não sei se é só comigo, ou se outros também pensam assim, mas me pego analisando em quais seriam os reais motivos de eu estar aqui, ou em como tenho contribuído para a humanidade ou pelo menos para os que me cercam. E minhas conclusões não têm sido muito satisfatórias. Queria poder fazer mais, conhecer mais, conviver mais, me apaixonar mais, enfim, viver mais.

A canção Epitáfio¹, interpretada pelo grupo Titãs, combina bem com o que eu estou falando. Epitáfios são frases escritas sobre túmulos, mausoléus e campas cemiteriais para homenagear pessoas ali sepultadas², a canção se refere a um indivíduo que deixou pra fazer sua auto-análise já ao fim de sua vida. As pessoas geralmente só pensam nessas coisas num período de maior idade, às vezes no leito de morte, e então acabam não tendo tempo de reescrever sua história.

Já ouvi muitas pessoas criticarem outras que procuram viver mais intensamente, não estou fazendo apologia a comportamentos irresponsáveis que prejudiquem a vida alheia e a própria vida, mas a viver sem medo de errar, pois sempre cometemos erros, mesmo quando tentamos fazer tudo certo do modo que se é esperado de nós pelos que nos cercam. Não vale a pena viver como outros querem, mas viver de modo que nos dê prazer em estarmos vivos, vontade de acordar todos os dias e encarar as dificuldade porque ao anoitecer sabemos que cumprimos mais uma etapa de realizações, só que para isso é importante que tenhamos nossos planos bem definidos, porque, se por um acaso, sairmos da trilha, é possível retomar o caminho correto para chegarmos ao objetivo. E, se, conseguirmos chegar a esse objetivo em tempo hábil, é preciso que se trace outro e outro, e assim a vida nunca ficará vazia.



Então amig@s, sei que não acertaremos sempre, não sorriremos sempre, mas é preciso tentar. É preciso viver a vida com paixão, sem medo, mas com responsabilidade. Quero, no meu leito de morte, perceber que vivi o que queria ter vivido, contribui para uma sociedade melhor e vivi as paixões que a vida me oportunizou.

Abraço a tod@s
Por Priscila Messias

___________________________________________________
¹http://www.youtube.com/watch?v=H4jW7_g-XOg
²http://pt.wikipedia.org/wiki/Epit%C3%A1fio

sábado, 8 de junho de 2013

Alfinetadas dadas é missão cumprida...

Li, dia desses, nas redes social um comentário de uma amiguinha com a qual convivi por alguns anos e que faz parte de uma comunidade evangélica da qual também era membro. E fico chateada sempre que leio ou ouço comentários semelhantes de pessoas que afirmam que seu estilo de vida é o único aceitável por Deus e deve ser vivido a todo custo, pois só dessa forma será possível alcançar os céus e se assentar ao lado do criador do Universo. O comentário a que me refiro tratava-se de um recado para alguém que justamente estava fugindo dos padrões de comportamento estabelecidos para esse grupo social. Então me pus a pensar e analisar no assunto com meu vago conhecimento teológico.

De acordo com a cultura cristã, as pessoas ditas "santas", e que seguem os padrões, sempre se colocam como seres superiores por conseguir "vencer" as tentações humanas e afirmam que é essa guerra entre as necessidades humanas e os dogmas da Igreja que Deus espera do ser humano. Mas, não é isso que vejo nas Escrituras Sagradas, elas me parecem claramente ser orientações para se viver uma vida melhor e não regras para uma vida de sacrifícios com fim em si mesmos.

Sei que muitos discordam das minhas opiniões, mas vale relembrar sobre as palavras e atitudes de Jesus: quando foi que ele se comportou como um judeu ortodoxo? Ele também vivia numa sociedade que exigia certos padrões de comportamento e atitudes específicas esperadas do Messias, aos quais ele não correspondia. Jesus Cristo, que é a base do cristianismo, sempre foi um crítico de sua sociedade e trazia suas orientações com alfinetadas. E a que ele veio? Para nos orientar a ter um bom convívio com o próximo e em sociedade, e a ter a vida plena a que Deus nos propôs desde o início da criação da humanidade. Mas, nem todos entenderam a proposta de Jesus e acabaram o crucificando por conta disso.

A Igreja Primitiva, aquela formada pelos primeiros cristãos após sua morte e ressurreição, manteve a proposta a que Jesus se referia, seu objetivo era o relacionamento com o outro, o amor e o cuidado com a sociedade desacreditada e segregada. E, hoje, nos esquecemos desses ensinamentos e retomamos as atitudes dos fariseus (os religiosos dos quais Jesus criticava) que frequentavam as sinagogas (igrejas) e davam suas ofertas, mas nunca se preocupavam com os indivíduos da sua comunidade. Os cristãos atuais estão preocupados em  impor seus costumes e ditar as atitudes que acha que o outro deva tomar, mas não se atentam para o ser humano que tem sentimentos, problemas e necessidades.

O papel da Igreja não é se meter nas políticas sociais ditando o que é certo ou aceitável segundo o cristianismo, mas se preocupar com o bem estar da sociedade. Seu papel é de resgatar a autoestima das pessoas e dar perspectivas a quem a sociedade negou, é salvar aquelas que estão desorientadas quanto ao rumo de uma vida melhor e que se destroem nas vielas e esquinas desse mundo. A Igreja não precisa assumir o papel de julgadora ou destruidora de vidas, o mundo capitalista e egoísta já faz isso.

Então, antes que você abra a boca ou use seus dedos para fazer comentários sobre alguém ou seu estilo de vida, pense em ligar para essa pessoa e procurar conhecê-la, ajudá-la e, se preciso, estender as mãos sem pré-julgamentos. As pessoas precisam de amigos, de palavras encorajadoras e atitudes que a façam se sentir importantes, se os cristãos atuais se propuserem a esses pequenos atos seus discursos serão, no mínimo, mais úteis.

Alfinetadas dadas...

Abraços a tod@s!
Por Priscila Messias

domingo, 12 de maio de 2013

Amor de mãe...

Dizem que a mulher nasce com a virtude de ser mãe, pelo fato de seu corpo poder gerar uma criança, assim como todos os outros mamíferos do sexo feminino. Mas essa definição para "o ser mãe" seria injusta com aquelas muitas mulheres que, por fatores genéticos, biológicos ou até sociais, quiseram em algum momento e não puderam desfrutar da experiência de gerar um bebê, ou aquelas que escolheram por não gerar em seus ventres, mas em seus corações.

Então, sinto-me com propriedade para afirmar que ser mãe não está ligado ao fato de gerar ou não uma criança, mas sim em desenvolver um amor incondicional por outra pessoa. A exemplo disso podemos mencionar as mães adotivas, as mães avós, as mães tias, as mães amigas, as mães dos nossos amigos...enfim, são muitas as formatações de mãe.

Ser mãe é uma escolha, e uma das mais lindas e puras que alguma mulher possa fazer. Ser mãe é amar incondicionalmente; é sofrer com o sofrimento dos filhos e se alegrar com sua alegria; é se orgulhar com cada conquista, por menor que ela seja; é saber que somos importantes para eles e que temos o poder de fazê-los felizes mesmo nos pequenos atos; dentre muitas outras coisas. Não há palavras que possam descrever esse amor maternal, é algo surreal, mas que nos preenche de forma inexplicável.

Então...seja você a mãe que for, parabéns por esse dia tão especial...e continue amando os seus, pois assim sempre será levada em suas lembranças e em seus corações.

Bjos a tod@s
Por Priscila Messias

quarta-feira, 1 de maio de 2013

A arte de ouvir

"Numa definição direta: escutar é o uso puro e simples do sentido da audição e ouvir vai além, sendo uma ação mais profunda, um convite a um processo mais ativo de interação com o outro"¹. (Daniela Leluddak)

Aprendemos na escola que somos agraciados por 5 sentidos: paladar, tato, olfato, visão e audição, e para cada qual existem os órgãos que são seus respectivos responsáveis para o desenvolvimento de cada um deles. Todos os sentidos são muito importantes para a vida do ser humano, e dentre eles está a audição, algumas pessoas, por problemas congênitos ou adquiridos ao longo da vida, não usufruem desse sentido, mas independente se escutam ou não, muitas ainda não entenderam que ouvir é um pouco mais complexo que a simples capacidade de escutar. 

Como a definição acima descreve, escutar está ligado ao sentido da audição, ou seja, é o fato do ouvido externo receber os sons e ruídos e o complexo sistema auditivo ter a capacidade de levar todas essas informações ao cérebro para que sejam interpretados e apresentarem um sentido para nós. Ouvir, vai além disso, é muito mais que ter seu sistema auditivo funcionando e cumprindo seu papel, é a nossa permissão em deixar que os sons e as palavras percorram por entre nossa corrente sanguínea, pulsem com o ritmo do coração e atinja a nossa alma ao ponto de nos fazer chorar ou sorrir, acreditar ou desacreditar, admirar ou desprezar, amar ou deixar de amar.

Ouvir é algo mais profundo e intenso, até as pessoas surdas podem ouvir, pois não está necessariamente ligado ao uso do sistema auditivo, depende muito mais de uma percepção, de uma certa sensibilidade que qualquer ser humano pode desenvolver independente de suas limitações físicas, cognitivas ou psicológicas. Nós exercemos a arte de ouvir quando aquilo que recebemos do mundo externo é capaz de nos motivar a sermos pessoas melhores ou piores para nós mesmos e para os outros. 

Existem coisas que precisam ser ouvidas, outras não, pois tudo que de fato ouvimos, nos transforma de alguma maneira. Somos nós que decidimos o que vamos ouvir, então ouça aquilo que te torne uma pessoa melhor, as demais, deixe que fiquem esquecidas como os papéis que são guardados nas gavetas que quase nunca mexemos, mas que são jogados ao fogo quando resolvemos fazer uma faxina. 

Ouça apenas o que te faça sorrir ou chorar de emoção, e as críticas e verdades, que mesmo que te façam chorar, permitam que você cresça como indivíduo.

Aprendamos a difícil arte de decifrar o que precisa ser ouvido ou escutado, e quiçá nos tornemos pessoas melhores e mais felizes.

Abços a tod@s
Por Priscila Messias
_________________________________
¹http://www.caddan.com.br/artigos2/21-escutar-e-ouvir.html

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Por que uma mulher chora?

Chora porque é emotiva, e se sensibiliza com o sorriso de sua criança, com um toque de carinho da pessoa que ama ou com um abraço amigo e sincero no momento de angústia. Porque gostaria que sua vida fosse como nos filmes: com romance, diversão e um certo toque de drama.

Chora por que o seu homem, na necessidade de satisfazer o seu ego, prefere vê-la chorar atrás de si a sorrir  ao seu lado. Por ter seu brilho apagado por conta de uma cultura machista que a classifica como subalterna, sem direito a ter uma vida, sonhos e realizações próprias, alegando que sua felicidade está fundamentada apenas nas realizações dele.

Chora por coisas que perdeu, não porque não cuidou delas, mas porque lhes foram roubadas. Por objetivos que não alcançou por ter dado prioridade a felicidade dos outros, e não ser valorizada por isso. Por ter seus planos paralisados porque tem que, sozinha, se responsabilizar pelo cuidado dos filhos ou porque a pessoa que ama dificulta ainda mais sua dura jornada diária.

Chora porque ao invés de ouvir palavras de incentivo e amor, é esbofeteada com o silêncio, o desprezo e o descrédito em suas potencialidades. Por ter que desistir de sonhar por não ter mais forças pra lutar. Por percebe que as pessoas à sua volta não se regozijam com suas alegrias e conquistas, por menor que sejam.

Chora porque tem que ouvir de toda uma sociedade o "pelo menos você tem..." como se, por ser mulher, tivesse que se contentar com qualquer migalha. Por ter que implorar por igualdade de direitos e o mínimo de condições para manutenção de sua vida e da de sua família.

Chora porque é tão forte, e suporta tanta dor, que a única coisa que lhe resta é chorar...

Abço a tod@s
Por Priscila Messias



domingo, 21 de abril de 2013

Um dia você acorda!!!


"Um dia você acorda e sente que tudo está diferente: o cheiro da vida mudou, as cores não são mais as mesmas e a terra não te comporta mais porque o que você quer é voar.

Um dia você acorda e se dá conta do que não fez e de onde não chegou, que está com saudades da sua música, dos seus livros, dos seus segredos e do seu ócio. Percebe, decepcionado, que quis crer em tantos ensinamentos e doutrinas, que tantas vezes se esforçou para agradar a gregos e troianos que já nem sabe mais qual era o seu querer, quais eram os seus sabores preferidos e a direção que escolheu caminhar.

Um dia você acorda e lembra que riu, comeu e sentou-se à mesa com pessoas que nunca tiveram importância, que ofereceu seu melhor sorriso somente em troca de aceitação, que usou de coisas e gentes para seu próprio gozo, sem pensar nas marcas que deixaria. Lembra que presenteou pessoas erradas, que deixou de abraçar por puro preconceito, que não tentou mais uma vez por orgulho, e que não protestou diante de absurdos, recolhendo-se à boa educação de sempre.


Um dia você acorda cansado de dizer que está cansado de viver, e decide que vai correr o risco de recapitular suas teologias e filosofias e lutar pelos velhos sonhos, estes que pedem espaço como uma revoada de pássaros a fazer um barulho incrível no seu peito, batendo asas e soltando penas por todos os lados.

Um dia você acorda e olha para o teto, e sorri simpatizando-se com a aranha tecendo teimosa suas teias que, sem se render as estocadas diárias da vassoura, recomeça seu trabalho toda noite, aí você se dá conta que existe a coragem de recomeçar.

Um dia... Um dia você acorda!"

(Autor: Um amante da Filosofia e da Vida)
____________________________________________

Abço a tod@s
Priscila Messias

sábado, 20 de abril de 2013

Não precisa ser fruta pra ser fútil!

Hoje estava num pronto socorro local, e me deparei com uma cena que me fez questionar: "por que essas mulheres continuam tão fúteis e superficiais?", e acreditem, não estou me referindo às meninas padronizadas de cabelos longos lisos e microsaias, mas sim à jovens senhoras distintas: mulheres casadas de índole inquestionável.

Como estava sozinha aguardando no hall do hospital, minha atenção na conversa alheia foi automática, e então pude participar indiretamente de uma conversa sobre culinária, depois sobre o clima e ao final ouvi deboches sobre alguma outra pessoa que não estava naquele local. Claro, que todos nós mortais temos momentos de falar da vida alheia, mas, analisando me fiz outra pergunta: "por que perdemos tanto tempo de nossas vidas preocupados com o outro?" E vale destacar que essa preocupação não está voltada para o bem-estar ou a saúde alheia, mas no sentido de nos colocar como juízes com o direito de deliberar suas sentenças de morte.

E o que mais me intrigou era que as duas mulheres eram bonitas e jovens, apresentavam uma condição social e intelectual favoráveis de acesso ao conhecimento, mas o que elas de fato exibiam eram suas alianças na mão esquerda como um troféu, como se isso fosse um passaporte para a vida perfeita e feliz. Por que ainda as pessoas continuam a se iludir com o Status se estamos na era do conhecimento? Isso me deixa de fato angustiada, porque busco romper com isso tudo e ir em direção ao crescimento intelectual e cultural, e nesse aspecto sinto-me como um peixe nadando contra a maré, que precisa fazer muita força pra seguir alguns centímetros se conseguir romper contra a força da água.

Lembrei-me da época de escola: havia na minha classe uma jovem extremamente inteligente e dedicada aos estudos, sempre alcançava as melhores notas e premiações, tínhamos inveja da garota, confesso, mas depois da formatura de ensino médio não tive mais notícias dela. Alguns anos mais tarde a vi, levando seus filhos pra escola e quando nos falamos ela me contou a respeito das conquistas do marido, de como os filhos eram inteligentes e só... nada a seu respeito. Aquela jovem brilhante e dedicada não existia mais, pelo menos naquele momento.

Então por que continuar a luta pelos direitos de igualdade, se essas mulheres apenas precisam saber cozinhar, cuidar da casa e família e ser fiéis a seus esposos? Por que, ainda, em pleno século XXI, era da informação e tecnologia continuamos fúteis e vazias como há séculos atrás? Por que nos deixamos ser subestimadas a todo momento por nossos maridos, pais e amigos?

Mulheres, vocês são tão (ou até mais) capazes que qualquer homem para encarar a vida, temos todas as características necessárias para sobreviver nesse mundo cão no qual estamos, então, vamos mudar esse quadro e buscar conhecimentos para podermos elevar o nível intelectual de nossa sociedade.

Queria muito acreditar que isso é possível!

Abço a tod@s
Por Priscila Messias

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Estamos retrocedendo????

"Quando você estimula uma mulher a ter os mesmos direitos do homem, ela querendo trabalhar, a sua parcela como mãe começa a ficar anulada, e, para que ela não seja mãe, só há uma maneira que se conhece: ou ela não se casa, ou mantém um casamento, um relacionamento com uma pessoa do mesmo sexo, e que vão gozar dos prazeres de uma união e não vão ter filhos. Eu vejo de uma maneira sutil atingir a família; quando você estimula as pessoas a liberarem os seus instintos e conviverem com pessoas do mesmo sexo, você destrói a família, cria-se uma sociedade onde só tem homossexuais, você vê que essa sociedade tende a desaparecer porque ela não gera filhos¹" (Marco Feliciano em jun-2012)


Fico estarrecida em ler nas redes sociais discursos desse tipo,ainda mais quando são palavras proferidas por um dos líderes religiosos que fazem parte da bancada evangélica (que vem crescendo e se espalhando como erva daninha), e atual presidente da comissão dos direitos humanos da câmara de deputados do Brasil, e assim como ele, existem muitos outros que deturpam toda uma luta por direitos de igualdade social em relação a gênero e sexualidade. Já é um grande problema um homem público declarar esse tipo de opinião, mas o pior  é que ele nem sabe do que está falando e arrasta multidões que concordam com suas palavras distorcidas, confusas e sem nenhum fundamento.

Desde quando uma mãe que está no mercado de trabalho ou busca sua realização profissional deixa "sua parcela como mãe a ficar isolada"? Até onde eu sei - por experiência própria - essa mulher mãe e trabalhadora é aquela que se desdobra para atender as exigências profissionais, pessoais e familiares, já  que geralmente são os homens que abandonam sua parcela de paternidade.

Que discurso é esse de que se a mulher não tem filhos "ou ela não se casa, ou mantém um casamento, um relacionamento com uma pessoa do mesmo sexo"?? Será que ele não sabe que existem métodos contraceptivos e que existem mulheres que não pretendem ter filhos apesar de serem heterossexuais e, muitas vezes, viverem em um relacionamento estável? Ou que, existem milhares de mulheres homossexuais, que mesmo não podendo gerar filhos da parceira, podem fazê-lo através de inseminação artificial? Ou, ainda, que adoção também é um meio de se construir uma família, sendo hétero ou homossexual?

Em um determinado ponto da fala, o senhor presidente da comissão afirma que se a mulher quer buscar sua realização e não quer ter filhos é porque ela está sendo incentivada a ser homossexual, porque "quando você estimula as pessoas a liberarem os seus instintos e conviverem com pessoas do mesmo sexo, você destrói a família, cria-se uma sociedade onde só tem homossexuais, você vê que essa sociedade tende a desaparecer porque ela não gera filhos", não sabia que essa era a definição de homossexualidade feminina. E os instintos a que ele se refere é a busca da mulher pelo prazer sexual?

 Estamos retrocedendo a uma cultura religiosa de que o sexo é apenas meio de procriação, cultura essa  que desconsiderava a mulher em todos os seus aspectos.  E, por favor, avisem ao excelentíssimo Sr. que esse discurso é de Santo Agostinho, Padre do séc.V (354-430), e que muitos outros teólogos como João Calvino e Martinho Lutero, que lutaram pela reforma protestante, já trazem um discurso um pouco mais moderno em relação a sexualidade. Quanto à questão das lutas dos direitos dos casais homoafetivos e dos  grupos do movimento LGBT, só tenho a dizer que essa luta não é religiosa, e sim social.

Portanto, é preciso afirmar: lugar de evangélico é na igreja lutando pelo bem estar de seus membros e  servindo à sua comunidade, já a política precisa ser retomada por estudiosos e pesquisadores, pessoas que saibam do que estão falando.

Abço a tod@s
Por Priscila Messias
Pós-Graduada em Gênero e Sexualidade - UERJ
________________________________________________
¹http://www.geledes.org.br/areas-de-atuacao/questoes-de-genero/265-generos-em-noticias/17660-marco-feliciano-diz-que-reivindicacoes-feministas-estimulam-o-homossexualismo

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Recria tua vida, sempre, sempre. Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recomeça. (Cora Coralina)

Ninguém pode dizer que é fácil recriar uma vida e recomeçar, deixar aquilo que se conhece para trás e encarar algo novo e imprevisível. Recomeçar nunca é simples, mas pode ser fundamental para aquelas pessoas que buscam sua felicidade e se percebem perdidas em algum momento em sua trajetória por conta dos caminhos que a vida acaba traçando para cada um de nós.

Vivemos uma vida feita de escolhas que num futuro serão adjetivadas como certas ou erradas, e estas  decisões geralmente são cercadas de emoções que, muitas vezes, nuveiam seu resultado já aparente. Estamos sempre sujeitos a errar, e a tomar atitudes erradas por conta de decisões erradas, talvez por achar que estas serão a solução imediata para algum problema ou para agradar alguma pessoa querida, ou ainda para atender a uma "exigência" social, sem que analisemos se elas nos afastarão ou aproximarão de nossos objetivos.

O importante não é a escolha, mas o que iremos fazer dos resultados dela. Caso isso ocorra, o que não é raro, é preciso ter coragem para observar em que ponto estamos e qual direção tomar para alcançar os objetivos lá do início da caminhada. Mas, algumas destas escolhas nos levam tão longe dos nossos objetivos que acabamos por nos esquecer deles ou de nós mesmos, nesse caso, é necessário a busca por novos caminhos até que encontremos uma trilha que nos aproxime novamente das realizações e da satisfação.

Podemos nessa nova caminhada encontrar situações ou indivíduos que nos tragam decepções? Sim, quando seguimos rumo ao desconhecido, estamos sujeitos a esses infortúnios, mas é preciso continuar trilhando e trilhando, porque nesse mesmo rumo encontraremos pessoas e momentos que nos trarão muitas alegrias e realizações. Muitos irão criticar, alguns não entenderão, mas, é importante que entendamos que nem sempre iremos acertar nas escolhas, pois continuamos a ser humanos e errantes. 

O fundamental nessa vida é ter coragem, pois, quando desistimos de caminhar a vida começa a ficar vazia e sem sentido, e então nos tornamos infelizes e doentes. Então, de nada adianta reclamar ou praguejar, é preciso ter coragem para seguir. Apenas os corajosos rumam frente ao desconhecido, os covardes preferem ver seus sonhos e metas sucumbirem à ter que abrir mão daquilo que conhecem, encarar o novo e enfrentar as críticas.

Só quem vive a vida sabe o que é de fato viver!

Abço a tod@s!!!!
Por Priscila Messias
_________________________________________________________________

quinta-feira, 21 de março de 2013

Social X Religioso

Existem assuntos que são tabus em nossa sociedade e grande parte deles estão relacionados à sexualidade, e a Igreja é uma das maiores e mais fortes instituições que fomentam esses tabus. Chega a ser curioso, e até ridículo, como a vida privada de uma pessoa possa interferir e interessar tanta gente chegando ao ponto de haver mobilizações de cunho religioso a respeito. Não estou me referindo a assuntos como pedofilia, violência e exploração sexual contra crianças e mulheres, isso sim precisa ser discutido e tratado com seriedade pela sociedade em geral, mas a questão se o individuo é homossexual, poligâmico ou faz sexo de cabeça pra baixo, não deveria ser tão importante assim para as pessoas religiosas.

Mas, nem sempre foi assim, nem sempre as opções ou desejos sexuais de alguem era de domínio público e religioso, isso só teve início quando a religião, em especial a cristã, através da Igreja passou a controlar a vida e as atitudes de todos e definindo o que era bom e pra quem era bom, ou se era bom ou não, e à partir daí algumas verdades foram sendo criadas, algumas delas que reforçamos até os dias de hoje. Apesar da Igreja não dominar mais a sociedade, muito de suas premissas continuam a ser difundidas como se não houvesse outras variáveis.

Àqueles que defendem o cristianismo como a única verdade, preciso lembrar-los de que essa mesma religião foi aquela que matou milhares nas "santas" inquisições, em revoltas populares e em muitas outras situações, e ainda, roubou inocentes e alimentou e alimenta as riquezas de muitos, enquanto outros (os próximos) continuam a passar fome e frio, morrer nas vielas e praças, e ser vítimas das maiores atrocidades que um ser humano possa suportar.

Minha crítica não é ao cristianismo, mas aos líderes  religiosos - estes que são tidos como os porta-vozes de Cristo - que difundem que não há direito de se duvidar do que está sendo transmitido. Minha crítica é pelo fato de que o cristão é ensinado a não questionar e aqueles que agem ao contrário são discriminados, banidos e tidos como maus cristãos. Precisamos lembrar que o próprio Jesus Cristo, o precursor do cristianismo, foi um crítico em relação a religião dominante em sua sociedade e um mestre em incentivar o amor pelo próximo independente de condição social ou sexo, ou seja, ele cumpriu a missão de transmitir a todos que, independente de qualquer circunstância, o ser humano precisa ser amado e respeitado.

Sexualidade é PRIVADO e não RELIGIOSO, a busca pelos direitos de uma pessoa homossexual ou uma mulher é uma questão de cunho SOCIAL e não RELIGIOSO, então, fica a dica: existem problemas sociais que de fato precisa causar uma mobilização religiosa como: as injustiças sociais, o descaso e o abandono da humanidade.

Um abço a tod@s

Por Priscila Messias
Pós graduada em Gênero e Sexualidade - UERJ