sábado, 8 de junho de 2013

Alfinetadas dadas é missão cumprida...

Li, dia desses, nas redes social um comentário de uma amiguinha com a qual convivi por alguns anos e que faz parte de uma comunidade evangélica da qual também era membro. E fico chateada sempre que leio ou ouço comentários semelhantes de pessoas que afirmam que seu estilo de vida é o único aceitável por Deus e deve ser vivido a todo custo, pois só dessa forma será possível alcançar os céus e se assentar ao lado do criador do Universo. O comentário a que me refiro tratava-se de um recado para alguém que justamente estava fugindo dos padrões de comportamento estabelecidos para esse grupo social. Então me pus a pensar e analisar no assunto com meu vago conhecimento teológico.

De acordo com a cultura cristã, as pessoas ditas "santas", e que seguem os padrões, sempre se colocam como seres superiores por conseguir "vencer" as tentações humanas e afirmam que é essa guerra entre as necessidades humanas e os dogmas da Igreja que Deus espera do ser humano. Mas, não é isso que vejo nas Escrituras Sagradas, elas me parecem claramente ser orientações para se viver uma vida melhor e não regras para uma vida de sacrifícios com fim em si mesmos.

Sei que muitos discordam das minhas opiniões, mas vale relembrar sobre as palavras e atitudes de Jesus: quando foi que ele se comportou como um judeu ortodoxo? Ele também vivia numa sociedade que exigia certos padrões de comportamento e atitudes específicas esperadas do Messias, aos quais ele não correspondia. Jesus Cristo, que é a base do cristianismo, sempre foi um crítico de sua sociedade e trazia suas orientações com alfinetadas. E a que ele veio? Para nos orientar a ter um bom convívio com o próximo e em sociedade, e a ter a vida plena a que Deus nos propôs desde o início da criação da humanidade. Mas, nem todos entenderam a proposta de Jesus e acabaram o crucificando por conta disso.

A Igreja Primitiva, aquela formada pelos primeiros cristãos após sua morte e ressurreição, manteve a proposta a que Jesus se referia, seu objetivo era o relacionamento com o outro, o amor e o cuidado com a sociedade desacreditada e segregada. E, hoje, nos esquecemos desses ensinamentos e retomamos as atitudes dos fariseus (os religiosos dos quais Jesus criticava) que frequentavam as sinagogas (igrejas) e davam suas ofertas, mas nunca se preocupavam com os indivíduos da sua comunidade. Os cristãos atuais estão preocupados em  impor seus costumes e ditar as atitudes que acha que o outro deva tomar, mas não se atentam para o ser humano que tem sentimentos, problemas e necessidades.

O papel da Igreja não é se meter nas políticas sociais ditando o que é certo ou aceitável segundo o cristianismo, mas se preocupar com o bem estar da sociedade. Seu papel é de resgatar a autoestima das pessoas e dar perspectivas a quem a sociedade negou, é salvar aquelas que estão desorientadas quanto ao rumo de uma vida melhor e que se destroem nas vielas e esquinas desse mundo. A Igreja não precisa assumir o papel de julgadora ou destruidora de vidas, o mundo capitalista e egoísta já faz isso.

Então, antes que você abra a boca ou use seus dedos para fazer comentários sobre alguém ou seu estilo de vida, pense em ligar para essa pessoa e procurar conhecê-la, ajudá-la e, se preciso, estender as mãos sem pré-julgamentos. As pessoas precisam de amigos, de palavras encorajadoras e atitudes que a façam se sentir importantes, se os cristãos atuais se propuserem a esses pequenos atos seus discursos serão, no mínimo, mais úteis.

Alfinetadas dadas...

Abraços a tod@s!
Por Priscila Messias
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