quarta-feira, 23 de abril de 2014

"A história da mulher é a história da pior tirania que o mundo conheceu: a tirania do mais fraco sobre o mais forte." (Oscar Wilde)

Nós, mulheres, somos consideradas objetos, todas sabemos disso e não gostamos de ouvir ou sentir essa sensação de abuso (seja sexual, psicológico, profissional, etc), dizemos que não aceitamos, que temos que nos unir e lutar contra essa dominação masculina, mas quando algumas de nós resolvem agir de forma diferente do tradicional, de se expor e falar do que pensam ou sente a respeito, são desrespeitadas e insultadas, quase que são apedrejadas publicamente como ainda acontece no Oriente Médio, e isso ocorre principalmente quando falamos de realização sexual.

A todo momento temos que reafirmar nossas capacidades e, como se não bastasse a luta contra o machismo, ainda precisamos encarar as amigas que, ao invés de se calarem frente a sua ignorância, ajudam a disseminar conceitos sexistas que em nada contribuem para a mudança de postura da sociedade frente a luta pelos direitos das mulheres, inclusive os direitos sobre seu próprio corpo.

São muitas as áreas sociais de luta feminista e feminina, mas o sexo ainda é o tabu dos tabus em nossa sociedade, inclusive no universo feminino. Apesar de amplamente divulgado na mídia uma liberação sexual, ainda hoje, o discurso de muitas é de que o sexo é apenas uma obrigação marital, um artificio para manutenção de uma relação, ou ainda uma 'ferramenta' para aquisição de favores. Essa concepção do sexo ainda é dividida em rodas femininas por mulheres de diversas idades e profissões; quando alguma mulher discorda dessa concepção, e vem com o discurso de que o sexo deve proporcionar prazer aos dois; de que não é um instrumento de dominação; de que gosta de praticar sexo por prazer; ou de que não se deve manter um relacionamento se não houver paixão e tesão entre os pares, é taxada como vadia, tarada ou imoral.

Penso que qualquer opinião sobre o assunto deveria ser, se não aceita, no mínimo respeitada, pois respeito àquelas que vivem em um relacionamento para manter uma estabilidade social e financeira; àquelas que se sujeitam ao sexo, que vendem seus corpos por uma casa ou pelo status de ser um exemplo de mulher que mantém seu relacionamento estável, algumas dessas que nem ao menos sentem ou proporcionam prazer aos seus companheiros, pois estes reconhecem quando a mulher faz sexo sem vontade. Peço respeito, pois dizer NÃO a dominação do meu corpo, dizer NÃO ao um relacionamento malfadado, é um ato de coragem, não de leviandade.

Agora pensemos: manter financeiramente uma casa e administrar uma família sozinha, tomar todas as decisões, se responsabilizar de todos os afazeres domésticos, inclusive os ditos 'masculinos', não é pra qualquer uma, é só para as guerreiras. Não quero barganhar bens materiais com sexo, não quero ter que acordar todos os dias ao lado de alguém que não me faça feliz e realizada. Se atuo no 'papel' masculino na manutenção de uma família, porque não também ter o direito de decidir, assim como meus colegas homens, com quem e quando quero fazer sexo? Por que então as mulheres são julgadas por buscar prazer sexual, já que os homens podem? Lhes dou a resposta: não existem de fato papeis, nós é que criamos e mantemos essas mentiras.

Entendo que buscar manutenção ou ascensão social e financeira, ou punir através do sexo a pessoa que deveria ser companheira, parceira e amiga não é correto. Não ter direito ao prazer e ser obrigada a manter relacionamento sexual com o parceiro por uma questão de 'obrigação' também não é bom para ninguém. Nada melhor que um relacionamento em que tenha respeito, paixão e sexo com prazer. Se isso existe? Não sei, mas me sinto mais realizada a procurar do que estar presa a um relacionamento falido apenas para agradar essa sociedade hipócrita.

Àquelas que defendem a "moral e bons costumes" (seja lá o que isso signifique!)faço como a funkeira Valesca Popozuda: um beijo no ombro pra você!

Abço a tod@s
Por Priscila Messias
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