domingo, 13 de agosto de 2017

#NenhumaAMenos!...sobre feminicídio

Pela memória de Mayara Amaral e tantas outras que morrem a cada minuto nesse planeta.

Marcela Lagarde, antropóloga e feminista mexicana, utiliza a categoria feminicídio, que significa assassinato de mulheres (termo homólogo ao homicídio), mas acrescentando a ele uma significação política: a de genocídio contra as mulheres¹

Dizem por ai que nós feministas somos cheias de mimimi, que reclamamos por qualquer coisas, que nos vitimizamos em tudo. É triste, mas ouvimos isso com frequência até da boca de mulheres que não entendem o que é e o porquê dos movimentos feministas. Somos muito mal compreendidas porque as pessoas que nos criticam não se dispõem a tentar entender os nossos motivos, ou ao menos aceitam que as mudanças sociais, em favor da mulher, ocorridas ao longo da história é consequência da luta do feminismo.

Vivemos tempos sombrios em que a violência é resposta para tudo, e quem é mais vulnerável acaba por sofrer nas mãos daqueles que se sentem os seus "donos" ou se colocam como "seres superiores". Nossa sociedade sempre sofreu com esse tipo de comportamento em relação às mulheres, crianças, negros, LGBTs e outros, a diferença é que cada vez mais deixamos bem claro que não aceitaremos qualquer tipo de comportamento ultrajante contra as mulheres e não nos calaremos. O nosso barulho gera muito incômodo, mas ele precisa ser feito.

Milhares de mulheres são mortas a cada minuto por esse mundo, muitos desses assassinatos são cometidos por homens muito próximos a elas, são seus esposos, namorados, pais e amigos. E elas só são mortas porque a sociedade entende que somos inferiores e temos que aceitar a nossa sorte, seja ela qual for.

Ainda hoje as mulheres são espancadas, violentadas, assassinadas e acusadas de serem as causadoras desses atos porque, de alguma forma, provocam seus agressores até que eles se tornem seres irracionais ao ponto de lhes fazerem o mal, apesar de hoje termos umas as outras, para muitas a única alternativa ainda é o silêncio, pois não sabem a quem recorrer, já que toda a sociedade as recrimina e se recusa a defendê-las.

Somos seres que pensam, que fazem uso da capacidade de gerir conflitos, então por que ainda vimos em nossos jornais o termo "crime passional" (movido a paixão) para justificar um assassinato ou violência de qualquer natureza? Por que ainda temos homens que continuam sua vida mesmo após destruir a vida de uma mulher? Por que a sociedade penaliza a mulher e não aquele que lhe tira a vida?

Não dá pra entender porque numa sociedade em que os seres humanos deveriam ser analisados por conta de suas capacidades, nos catalogamos de acordo com o gênero, sexualidade, credo ou cor. Enquanto não entendermos que devemos lutar pelo coletivo, precisaremos de pessoas com garra para gritar aos quatro cantos as lamentações daqueles que já não podem lutar por sua sobrevivência.

Como feministas gritamos e choramos por nossas irmãs, algumas não têm a sorte de sobreviver ou se livrar de seu sofrimento, mas continuaremos lutando até que estejamos seguras e não precisemos mais sofrer com a morte de mais uma de nós.

Um abraço a tod@s,
Por Priscila Messias
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¹(https://pt.wikipedia.org/wiki/Feminic%C3%ADdio)
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