terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Abaixo a hipocrisia do casamento cristão ideal

Sou cristã e recebi um ensinamento baseado na bíblia e seus preceitos, entendo que seu estudo é fundamental para nortear o povo que professa a fé em Cristo. Basicamente a bíblia nos ensina a enxergar o outro como a nós mesmos e respeitá-lo para que vivamos uma sociedade de paz. Mas não é bem isso que vemos em relação aos ensinamentos atuais.

Tenho acompanhado, através das mídias, a ascensão de pastores que vêm conduzindo legiões de seguidores com seus sermões sobre as "boas maneiras" de um verdadeiro cristão. Dizem como se portar, se vestir, falar e agora como se relacionar. Existem aqueles lideres que defendem o casamento convencional e que pregam que um ser humano não pode se realizar sozinho - esses ministros ensinam seus rapazes a abordarem a moça ideal para casar, retomando a ideia de alguns séculos atrás, e as mulheres são colocadas como "princesas" delicadas e a espera de seu príncipe.

E têm aqueles que determinam como o casal deve viver para o casamento durar até que um dos cônjuges morra (pois divórcio não é algo muito aceitável no meio cristão), esses tentam convencer as mulheres de que seus maridos são seus líderes e que tudo deve ser voltado para eles, pois se o casamento não der certo a culpa é delas que não atenderam qualquer uma das expectativas do homem.

Ainda não entendo porque em pleno século XXI a mulher é colocada como um ser a serviço e prazer do homem. As argumentações colocadas não passam de reforço ao machismo que, infelizmente, ainda impera em nossa sociedade. Vi o vídeo de um pastor que prega que tudo que a mulher for fazer deve ser em favor ao seu marido, sua aparência deve ser baseada no que agrada seu cônjuge, e até o sexo deve ser de acordo com a vontade do homem. Fiquei extremamente aborrecida, confesso.

Não vejo dificuldade em entender que vivemos numa realidade completamente distante daquelas citadas na bíblia, todas as relações com pessoas, dinheiro e crença são diferentes. É preciso que esses pastores e "conhecedores" do universo das relações entre os sexos entendam que uma mulher não precisa de alguém ao seu lado que a trate como menor, não precisa ser gerida, pois tem capacidades cognitivas suficientes para isso; ela precisa dar prioridade ao trabalho e ao estudo, pois sustem sua família; são donas de seus corpos não precisam ter um tutor; e se cuidam e se vestem, não para agradar o companheiro, mas para seu bem-estar.

Defendem que o homem não gosta de mulher ciumenta, ela precisa ser segura, mas isso só ocorre quando a mesma pode opinar e tomar suas próprias decisões, quando podem participar da sociedade, ter amigos e ambientes sociais de convívio. Se o homem não é capaz de crescer e entender que ter uma parceira não é ter objeto ou gueixa que precisa bajulá-lo e servi-lo, ele não serve pra estar ao lado dela.

Acredito num relacionamento onde homens e mulheres se respeitem e se desejem, sem que ela precise ser a tal SUB que tanto se prega. Entendo que enquanto não mudarem essa visão a respeito dos relacionamentos os casos de divorcio no meio cristão continuará a crescer. Hoje temos acesso a informação e sabemos que liberdade é um direito instituído, então porque querer aprisionar as mulheres em relacionamentos se elas podem estar ali por espontânea vontade?

Bom, essa é só a opinião de uma mulher entre as milhares que ficam caladas nos bancos das igrejas por medo das represálias. Então reflita e construa você mesm@ suas próprias conclusões.

Abço a tod@s
Por Priscila Messias
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