quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

PELO DIREITO DE BRINCAR

Há algum tempo trabalhando com crianças pude perceber como é importante brincar, isso mesmo brincar! Muitas pessoas acreditam que brincar, para a criança, é uma espécie de fuga da realidade, ou momento de distração apenas. Preciso informar: vocês estão enganados!

Há séculos estudiosos procuram provar, através de suas pesquisas, que brincar faz parte do aprendizado e que faz com que novos conteúdos aprendidos fiquem de fato gravados na mente das crianças, é o que chamamos de aprendizagem significativa. Através das brincadeiras e de jogos os pequeninos conseguem trazer para a realidade tudo aquilo que é transmitido de forma abstrata, através da fala (dependendo da idade a criança não consegue compreender o conceito por ser algo que não faz sentido para ela por não ter sido “experimentado”). Sem contar que brincar estimula a criatividade, ensina a cooperação, ajuda a criança a ser mais independente, desenvolve o cognitivo (aprendizado) e ainda ajuda a desenvolver a coordenação motora. É bom frisar que além de ser uma forma de aprendizado o ato de brincar é um direito garantido em lei no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) –  no art. 16, no parágrafo IV diz que a criança tem direito à liberdade de brincar, praticar esportes e divertir-se – ou seja, a cada dia que passa estamos infringindo uma lei federal e restringindo nossas crianças aos seus direitos como cidadãos.

Mas apesar de tantos estudos ainda nos deparamos com um grande problema que vem se agravando no decorrer das décadas: nossas crianças não brincam mais ao ar livre e não são estimuladas a desenvolverem sua capacidade criativa e motora, já que não podem mais brincar nas ruas por conta do grande fluxo dos carros e a violência; quando temos espaços públicos de lazer disponíveis não temos tempo para acompanhar as crianças em suas brincadeiras e não sentimos segurança em deixá-las ir sozinhas; e moramos cada vez mais em prédios, que muitas vezes não têm locais específicos para os moradores mirins (como se eles não fossem condôminos), e são tantas as tecnologias disponíveis e desenhos bem produzidos, que preferimos colocar nossos filhos na frente de um computador, videogame ou TV, até porque faz menos barulho, bagunça e ainda nos permite monitorá-los sem que atrapalhe nossos afazeres.

Mas precisamos encarar a restrição do brincar livremente como um problema social que precisa ser observado com cuidado e carinho, pois o desenvolvimento cognitivo de nossos cidadãos mirins acaba sendo comprometido. É nosso dever como pais e amigos das crianças lutar por esse direito e buscar através dos órgãos públicos e privados os espaços que permitam às crianças o seu desenvolvimento por completo, e ainda, precisamos estimulá-los a brincar, correr, saltar e gritar. Qual adulto (que viveu a experiência) não guarda lembranças dos tempos de criança quando jogava bola na rua com os vizinhos ou ainda quando brincava de amarelinha e pique-pega com os amigos? Enfim, quando você observar uma criança brincando, não encare isso apenas como um momento de bagunça ou desordem, mas como a hora em que ela está aprendendo e se desenvolvendo, e, se puder, entre na brincadeira também, porque além de aprender um pouco mais, você ainda fará parte de suas lembranças.

Por Priscila Messias
Pedagoga pela Universidade Estácio de Sá - Campus Resende-RJ
Artigo publicado no Jornal Tribuna do Vale - Julho/12
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